uzur.ai

O futuro da sua operação começa aqui, com a uzur.ai

aviculturacusto de producaofrango de corteexportacao de avesracaoicpfrango

Custo do frango no Paraná chega a R$ 4,85/kg com ração pesando 63,87%

Custo do frango vivo no Paraná sobe a R$ 4,85/kg em agosto, ração explica 63,87% da conta e exportação acelera 23,4% em setembro. Veja o que fazer com esses números.

Equipe uzur.ai ·

O frango vivo em SP subiu 5,0% e está a R$ 8,34/kg (CEPEA), mas o custo de produção no Paraná já é de R$ 4,85/kg vivo, terceira alta mensal seguida, com a ração respondendo por 63,87% da conta (Embrapa Suínos e Aves, agosto). Do lado externo, a média diária de embarques de carne de aves cresceu 23,4% na primeira quinzena de setembro (Secex/MDIC), e o spread do exportador está em 46%, contra 32% no mercado interno (Itaú BBA) — quem depende do atacado doméstico está no lado apertado da margem. Com milho a R$ 69,20/sc (-0,3%) e farelo de soja a US$ 371,5/t (+1,6%), o alívio de custo é frágil e o risco climático de 2027 já está na mesa.

Mercado interno

Preço reage, mas margem doméstica encolheu 4 pontos em um ano

O frango vivo em São Paulo está a R$ 8,34/kg, alta de 5,0% (CEPEA). O ovo branco negocia a R$ 140,66/caixa de 30 dúzias e o vermelho a R$ 156,33; em Bastos (SP), a referência do branco regional aparece a R$ 133,77/cx (CEPEA, via Agrimidia).

Do lado do custo, o ICPFrango da Embrapa Suínos e Aves subiu 1,56% em agosto, a 374,97 pontos. No Paraná, o custo passou de R$ 4,77/kg vivo em julho para R$ 4,85/kg em agosto — média de R$ 4,73/kg no ano. Santa Catarina está em R$ 5,00/kg e o Rio Grande do Sul em R$ 4,99/kg. A ração pesa 63,87% e subiu 3,77% no mês; a sanidade, com apenas 1,18% de peso, acumula alta de 35,70% em 12 meses.

O relatório Agro Mensal de setembro do Itaú BBA mostra o efeito na margem: o spread entre preço da ave abatida no atacado e custo de produção caiu de 36% para 32% em um ano. A ave inteira congelada em SP ficou a R$ 7,19/kg em agosto, 1,2% abaixo de agosto de 2025, com a disponibilidade interna cerca de 9% maior que um ano antes. Na primeira semana de setembro os preços reagiram cerca de 4%.

O que fazer: recalcular a margem do próximo lote com custo de R$ 4,85/kg vivo (PR) e renegociar contrato de ração e de insumos veterinários — a ração subiu 3,77% no mês e a sanidade 35,70% em 12 meses.

Agrimidia · ICPFrango/Embrapa · Portal do Agronegócio · Itaú BBA

Oferta em expansão: abate recorde e 49,7 bilhões de ovos projetados

O abate de frangos somou 1,69 bilhão de aves no segundo trimestre de 2026, alta de 2,8% sobre igual período de 2025, com recorde mensal em junho (568,51 milhões de aves, +8,2%). O Paraná mantém 35% do abate nacional. A produção de ovos foi de 1,25 bilhão de dúzias no trimestre, +0,8% no ano, com São Paulo em 24,7% do total.

A Conab projeta 16,30 milhões de toneladas de frango em 2026 (+3,1%) e 16,70 Mi t em 2027. Em ovos, 49,7 bilhões de unidades em 2026 (+1,4%) e 51,3 bilhões em 2027 (+3,3%). Produção total de carnes de 34,08 Mi t em 2026 e 34,26 Mi t em 2027.

Ou seja: oferta interna crescendo nas duas pontas. Em postura, o salto projetado de 3,3% para 2027 é o número a olhar antes de decidir ampliação de plantel.

O que fazer: comparar o crescimento da própria granja com a expansão regional (PR no corte, SP na postura) e segurar decisão de ampliação de postura até ver a curva de oferta de 2027 se confirmar.

Agrimidia · Conab · Portal do Agronegócio · produção animal 2º tri

Mercado externo

Média diária de embarques 23,4% maior; spread do exportador em 46%

Dados preliminares da Secex/MDIC mostram que a média diária de exportação de carnes de aves e miudezas subiu 23,4% até a segunda semana de setembro, frente à média de setembro de 2025 — acréscimo de US$ 8,63 milhões por dia. O grupo de farelos de soja e alimentos para animais avançou 90,7% na média diária (+US$ 29,64 milhões/dia), e a agropecuária como um todo, 16,5%. O próprio MDIC avisa: são números parciais, substituídos pelo consolidado do mês.

O quadro de agosto sustenta a leitura. Foram 480 mil toneladas embarcadas (-5,1% sobre julho, +25,6% sobre agosto de 2025), com preço médio de exportação 12,2% acima de um ano antes e spread exportador em cerca de 46%, uns 3 pontos percentuais acima da média de cinco anos (Itaú BBA). No acumulado de janeiro a agosto, os embarques crescem 17,1%.

A Conab projeta 5,76 Mi t de frango exportadas em 2026 (+11,5%), puxadas pela recuperação após a gripe aviária no RS, e 5,80 Mi t em 2027 (+0,8%) — isto é, o salto é de 2026, não se repete no ano seguinte. Dados da ABPA citados pela Feed&Food apontam 3,921 Mi t embarcadas entre janeiro e agosto de 2026, +15,5% sobre igual período de 2025.

O que fazer: quem tem contrato indexado a exportação pode capturar o spread de 46% agora; para projeção de volume, esperar o consolidado de setembro da Secex antes de mudar alojamento.

Feed&Food · Secex/MDIC · Portal do Agronegócio · Itaú BBA · Agrimidia · Conab

Sanidade

O risco não é falta de protocolo, é a flexibilização dele

Especialistas ouvidos pela Feed&Food apontam que o problema de biosseguridade em granja comercial raramente é ausência de procedimento — é a erosão gradual do que já existe: entrada sem fluxo sanitário completo, equipamento compartilhado sem higienização, falha no controle de veículos. Ariel Antonio Mendes (FACTA) e Mariane Pfeifer (Agrifirm) defendem tratar biosseguridade como sistema de gestão com auditoria e indicadores, não como checklist.

O efeito é medido em mortalidade, uniformidade de lote, conversão alimentar e custo. Vale registrar que a matéria é opinativa: os números de ABPA citados (15,289 Mi t produzidas e 5,324 Mi t exportadas para 153 países em 2025; 34,82% da produção ao mercado externo) são contexto de escala, não medida de eficácia das práticas.

O que fazer: montar registro semanal de circulação de pessoas, veículos e equipamentos, qualidade de água e destinação de mortalidade — e medir se o protocolo está sendo executado, não se ele existe no papel.

Feed&Food

Nutrição e manejo

Ração: milho estável, farelo em alta e risco climático para 2027

O milho no indicador Campinas está a R$ 69,20/sc (-0,3%) e a soja a R$ 161,88/sc (+0,8%). No exterior, milho CBOT estável a 534,25 ¢/bu, soja a 1.324,50 ¢/bu (+0,3%) e farelo de soja a US$ 371,5/t (+1,6%). O componente ração do ICPFrango subiu 3,77% em agosto e acumula 5,61% em 2026 (Embrapa Suínos e Aves). O Itaú BBA aponta milho e farelo ainda com custo controlado, mas trata o El Niño como risco para a safra de verão e a safrinha de 2027.

Ambiência: geada no Sul, umidade abaixo de 12% no Nordeste

A previsão traz tempo firme e frio com risco de geada em SC, Serra Gaúcha e sul do RS até quinta, seguido de temporais e rajadas de vento no sábado, avançando ao sul do Mato Grosso do Sul. No leste de SP, RJ, ES e MG, chuva forte. No interior da Bahia, Maranhão e Piauí, calor extremo com umidade relativa abaixo de 12% (Canal Rural, via Agrimidia). Inmet e Inpe indicam temperaturas acima da média entre 2026 e início de 2027, com El Niño — estresse térmico reduz consumo de ração e desvia energia da postura e do ganho de peso para termorregulação.

Primeira semana: mortalidade acima de 1% é alerta

Artigo técnico da Zootecnica International trata os primeiros 7 a 10 dias como a fase mais crítica do ciclo. Referências citadas: pré-aquecimento 24-72h antes do alojamento, papel cobrindo 70-80% da área de aquecimento, crop check em 2, 8-12 e 24 horas, temperatura retal de 39,5-40,5 °C no desembarque, peso aos 7 dias de pelo menos 4,5 vezes o inicial, CV de 6-7% (85-90% de uniformidade) e conversão da primeira semana abaixo de 1,0 — acima de 1,10 é suspeita de problema. Em onfalite/YSI, 70-87% dos casos têm E. coli e antibioticoterapia é pouco eficaz; a saída é auditoria de incubatório.

O que fazer: travar parte da compra de milho e farelo para 2027 enquanto o custo está contido; revisar cortinas, isolamento e gerador antes da geada e do temporal de sábado no Sul; e implantar crop check nas primeiras 24 horas com CV de peso aos 7 dias no próximo lote.

Agrimidia · clima e cotações · Portal do Agronegócio · El Niño · Zootecnica International

Tecnologia e regulação

UVC distante entra em teste com aves e gente dentro do galpão

A Texas A&M, com Morgan Farnell e Ziteng Xu, iniciou a terceira e última fase de testes de luz ultravioleta C distante (far-UVC) para inativar vírus e bactérias suspensos no ar de aviários comerciais em operação. O UVC convencional exige galpão vazio; o far-UVC não penetra tecido vivo, o que permitiria desinfecção contínua do ar durante o ciclo. Os testes usam câmeras com IA para monitorar bem-estar, ritmo circadiano e conversão alimentar, e medem o efeito de poeira e bioaerossóis sobre a eficácia contra patógenos como Staphylococcus aureus e coliformes. Não há dado de eficácia, custo nem prazo comercial.

Machine learning para vigilância: precisão ainda insuficiente

Estudo publicado no Journal of General Virology (Nabil et al., 2026) combinou amostragem de 1.087 aves silvestres de 19 espécies no Egito, entre 2019 e 2023, com dados ambientais para estimar probabilidade de detecção de influenza aviária. H5 apareceu em 70,3% dos positivos e H9 em 9,9%. O modelo apontou maior risco no Nilo, no Delta e em áreas pouco monitoradas, mas com AUC de 0,608 e F1 de 0,596 — os próprios autores tratam o mapa como guia de vigilância, não ferramenta operacional. Serve como referência metodológica; não diz nada sobre risco no Brasil.

Acompanhar — ainda não há decisão a tomar.

Agrimidia · far-UVC · Zootecnica International · Egito

Também no radar

Frango reagindo no interno, exportação forte e custo de ração ainda contido — a combinação é boa, mas depende de milho e de clima. Amanhã seguimos no consolidado da Secex e em qualquer confirmação oficial sobre a União Europeia.

Mercados · 17/09

Mercado interno (CEPEA)

Mercado externo

Interno: CEPEA/ESALQ. Milho e soja externos: contrato futuro de Chicago (CBOT). Dólar: awesomeapi.