Frango exporta quase US$ 1 bilhão em agosto, mas ovo vê receita cair 41,7%
Exportação de frango bate recorde em agosto com quase US$ 1 bi, enquanto receita do ovo cai 41,7% no ano. Veja preços, custo de ração e o que fazer na granja.
O frango vivo/abatido sobe 0,9%, a R$ 7,94/kg, no mesmo dia em que se confirma um agosto recorde no mercado externo: 492,6 mil toneladas embarcadas pelo Brasil (+24,8%) e US$ 997,9 milhões de receita (+42,7%), com a China como principal destino (Asgav/Sipargs com dados ABPA/Secex). Do outro lado do balcão, o custo não deu folga — milho em Chicago a 538,25 ¢/bu (+0,5%) e farelo de soja a US$ 367,8/t (+0,7%) —, então o ganho de 0,9% no frango cobre a alta do insumo, mas não amplia margem. Para quem está em postura, o sinal é oposto: o ovo brasileiro acumula queda de 15% em volume e 41,7% em receita de exportação no ano, e a válvula externa está fechando.
Mercado interno
Frango a R$ 7,94 com insumo subindo junto
O frango fecha o dia a R$ 7,94/kg, alta de 0,9%. No mesmo intervalo, milho (538,25 ¢/bu, +0,5%) e farelo de soja (US$ 367,8/t, +0,7%) subiram — ou seja, a alta do frango empata com a alta da ração, não a supera.
A demanda externa é o que está sustentando esse preço. O Brasil embarcou 3,92 milhões de toneladas de janeiro a agosto (+15,5%) e US$ 7,69 bilhões (+21,9%), segundo ABPA/Secex citados pela Asgav/Sipargs. Enquanto o mercado externo puxar volume, sobra menos produto para pressionar o mercado interno.
Ressalva de leitura: milho e farelo aqui são referência internacional. O repasse para o preço da tonelada de ração na sua região depende de basis e frete, e isso não está nos dados de hoje.
O que fazer: recalcular o custo por kg de ração com a cotação de farelo desta semana antes de fechar compra de milho para outubro; a alta de 0,9% no frango não cobre folga nenhuma se a ração subir mais que isso.
Mercado externo
China e Ásia
Agosto foi o melhor mês do ano para carne de frango: 492,6 mil toneladas embarcadas pelo Brasil (+24,8% sobre agosto de 2025) e US$ 997,9 milhões de receita (+42,7%), quase US$ 1 bilhão em um único mês, com a China como principal destino (ABPA/Secex, via Asgav/Sipargs). O preço médio implícito subiu mais que o volume — receita crescendo quase o dobro da tonelagem.
O Rio Grande do Sul foi acima da média nacional: 61,2 mil toneladas em agosto (+38,8%) e US$ 123 milhões (+58,4%). No acumulado do ano, 493,8 mil toneladas (+12,8%) e US$ 969,4 milhões (+23,6%).
No ovo, o sinal é inverso. O Brasil embarcou 2.322 toneladas em agosto (+9,1% em volume) mas com receita 38,1% menor (US$ 19,982 milhões), e o acumulado do ano está em 4.868 toneladas (-15%) e US$ 43,903 milhões (-41,7%). O RS caiu 26,2% em volume e 36,7% em receita no mês, ainda com acumulado positivo (+24,7% em volume). A leitura honesta: o pico de preço externo do ovo de 2025 não se repetiu.
União Europeia
A ANSA Brasil noticiou que uma restrição da UE à carne brasileira está afetando a produção de um embutido italiano. A matéria chegou apenas como manchete de feed: não dá para confirmar se a carne em questão é de aves, suína ou bovina, nem a base sanitária da restrição.
O que fazer: quem produz corte deve tratar agosto como janela de preço bom e negociar contrato agora; quem produz ovo para exportação precisa refazer o orçamento com receita por tonelada 41,7% menor que a do ano passado antes de manter plano de embarque.
Correio do Povo, 15/09 · O Presente Rural, 15/09 · ANSA Brasil, 14/09
Sanidade
Dois estados em vigilância, sem detalhe confirmado
Bahia e Tocantins aparecem hoje com movimentação sanitária: prorrogação do estado de emergência zoossanitária por H5N1 na Bahia e monitoramento de 38 propriedades no Tocantins para influenza aviária e Newcastle. Nos dois casos, só a manchete de feed chegou — sem prazo de vigência, sem municípios, sem indicação de foco confirmado em granja comercial.
Por isso os dois itens estão em “Também no radar”, e não aqui como notícia fechada. Nenhum dos dois altera, por enquanto, status sanitário nacional ou barreira de exportação.
O que fazer: se a granja está na Bahia ou no Tocantins, buscar o texto oficial (Adab e Adapec) para saber se a propriedade está em área de restrição de trânsito antes de programar transferência de lote ou recria.
Bahia Notícias, 16/09 · soudepalmas.com.br, 15/09
Nutrição e manejo
Farelo e milho pressionam a formulação
Não houve novidade de genética, ambiência ou bem-estar com indicador zootécnico medido nas últimas 48h. O que mexe na formulação hoje é preço: farelo de soja a US$ 367,8/t (+0,7%) e milho em Chicago a 538,25 ¢/bu (+0,5%), com soja a 1.328,75 ¢/bu (+0,8%).
Há também uma indicação de que os custos de produção de frango subiram em agosto, mas a matéria veio sem percentual e sem fonte primária — não serve para recalcular custo.
O que fazer: com farelo subindo mais que milho, vale revisar a matriz de formulação para a próxima rodada e checar se o nível de proteína atual está sendo pago pela conversão alimentar obtida no último lote.
boca.com.br, 15/09
Tecnologia e regulação
Renegociação de dívida rural tem prazo em 12/11
A Resolução CMN nº 5.340/2026 amplia a renegociação de dívidas rurais e complementa a Resolução 5.330/2026, podendo alcançar contratos antes excluídos por esgotamento de recursos controlados. Para a linha do artigo 2º, é preciso comprovar queda de pelo menos 30% na renda bruta agropecuária esperada em ao menos duas safras entre 2019 e 2025, por clima ou queda de preço.
O prazo de renegociação vai a oito anos, com primeira amortização do principal após dois anos, e os juros são livremente negociados. A contratação tem data-limite: 12 de novembro de 2026. Exige laudo técnico de perdas e requerimento formal na instituição financeira.
Ressalva: a norma trata de crédito rural em geral e não cita avicultura, coturnicultura ou postura. Se a linha da granja se enquadra, só o banco confirma.
Sobre IA e automação: nada hoje com resultado medido em indicador zootécnico. Quando aparecer sem número e sem quem assina, não entra.
O que fazer: levantar todos os contratos de crédito rural e CPR financeira da granja, checar enquadramento nas Resoluções 5.330 e 5.340 e contratar o laudo técnico agora — protocolo depois de 12/11 não vale.
Também no radar
- Abate de frangos bateu recorde para um segundo trimestre, com 1,69 bilhão de cabeças; fonte primária não citada nas matérias — O Presente Rural, Globo Rural e Notícias Agrícolas, 15/09.
- Produção nacional de ovos cresceu 0,8% no 2º trimestre, a 1,25 bilhão de dúzias — O Presente Rural, 15/09.
- Bahia prorrogou o estado de emergência zoossanitária por H5N1, sem prazo divulgado no feed — Bahia Notícias, 16/09.
- Tocantins monitora 38 propriedades contra influenza aviária e Newcastle — soudepalmas.com.br, 15/09.
- Custos de produção de frango e suíno subiram em agosto, sem percentual nem fonte divulgados — boca.com.br, 15/09.
Agosto foi o melhor mês do ano para quem exporta frango e o pior do ano para quem exporta ovo. Amanhã seguimos com a cotação e com o que sair de oficial na Bahia e no Tocantins.
Mercados · 16/09
Mercado interno (CEPEA)
- Frango (BR): 7,94 R$/kg (+0,9%)
Mercado externo
- Milho (Chicago): 538,25 ¢/bu (+0,5%)
- Soja (Chicago): 1.328,75 ¢/bu (+0,8%)
- Farelo de soja: US$ 367,8/t (+0,7%)
Interno: CEPEA/ESALQ. Milho e soja externos: contrato futuro de Chicago (CBOT). Dólar: awesomeapi.